Koko Be Good: Não é fácil ser boazinha

07/01/2016


Quando eu era adolescente, não me sentia representada pelas novelinhas e filmes voltados à minha faixa etária. Sempre achei esse esteriótipo de jovem muito sem noção e um pouco antiquado. Porém, não dá pra negar que é nessa fase que surgem as nossas primeiras dúvidas sérias em relação à vida e ao que nos cerca - e isso é algo que faz parte da existência de toda pessoa nessa idade. 

Confesso que ainda é estranho me enxergar como adulta, mesmo aos 21 anos. Às vezes, eu me sinto a mesma adolescente de 6 anos atrás, com mil questionamentos e uma tonelada de sonhos. A gente tenta manter nossas idealizações, mas boa parte delas simplesmente não dá certo. Aprendemos na marra que nada é tão simples. 

Se você tem lá seus 15 anos e tá lendo essa resenha, acredite: daqui a alguns anos você vai continuar se sentindo imaturo diante da vida. Não... Não vai vir uma carta da presidenta, com carimbo e tudo, dizendo "parabéns, agora você é adulto". Praticamente nada dentro de você vai mudar, mas tudo ao seu redor vai e é aí que você implora pra trocar suas tretas pelos seus antigos dramas da adolescência. 


Na HQ intitulada "Koko Be Good: Não é fácil ser boazinha", roteirizada e ilustrada pela cartunista Jen Wang, vemos a história de Koko, uma garota durona que literalmente não está nem aí pra nada e que, num belo dia, resolve virar do bem. Ingenuamente, ela inicia seu caminho de "reconstrução humana" pensando que seria muito fácil. Tudo o que ela quer é se tornar uma pessoa boa, que realmente faça a diferença na vida de alguém. Entretanto, sabemos que essa não é uma tarefa simples e se ela quiser mudar de verdade, terá que ser mais forte do que imaginava.

Junto à trajetória de Koko, nos deparamos com Jon, um rapaz meio perdidinho que está prestes a se mudar para o Peru. O motivo de tal mudança é sua namorada, que ao contrário dele, parece bem certa sobre seu futuro:
Emily: Decidi me mudar para Ayacucho depois de acabar a pós. Surgiu a possibilidade de trabalhar em um orfanato igual ao da minha mãe. Nunca tive tanta certeza de algo na vida.
Jon:  Que coisa bonita. Quer dizer, você... pode fazer o que quiser. Adoraria ter um propósito tão profundo. Tudo o que espero é ter um trabalho menos ruim depois que me formar.  

Certo dia, Koko e Jon se conhecem. Suas conversas fazem com que ambos reflitam sobre a vida que levam e seus futuros, chegando à conclusões que não haviam notado. Através dessa amizade, tanto um como o outro ganham uma chance para mudar o rumo de suas histórias. 

Além de ter uma narrativa bem escrita e bem simples (li tudo de uma vez!), a linguagem visual também não nos decepciona: todas as ilustrações são ma-ra-vi-lho-sas. Com o uso de aquarela em tons sépia e traços delicados, Jen Wang nos passa a mensagem que a história traz de um jeito leve e inspirador. Dá vontade de enquadrar várias cenas e botar na parede do meu quarto! 


Como prometido, voltei com as resenhas. Adeus, ressaca literária! Pela primeira vez, estou conseguindo manter mais de uma leitura ao mesmo tempo e isso tem me feito um bem danado. Em breve trago mais historinhas pra vocês!

ISBN: 9788580440935
 Editora: Barba Negra
Páginas: 303
★★★★★

Onde comprar: Estante Virtual 

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19 comentário (s)

  1. Me identifiquei muito! Uns aninhos atrás eu estava numa confusão de questionamentos sobre a vida e tudo isso que rodeia a gente. Hoje as coisas são mais claras, mas as dúvidas ainda persistem e só sentindo na pele o peso das nossas escolhas que nos faz adulto e amadurecer.

    O HQ parece ser muito legal e o tema é ótimo.
    Com frequência vemos em livros uma vida que dá tudo certo, coisas acontecem com facilidade, o amor perfeito, etc etc. E uma leitura de gente como a gente, com a qual a gente se identifique, é incrível e um pouquinho difícil de encontrar.

    Vou indicar pra minha irmã de 15 anos! ahahha (e ler também ♥)

    Beijos e sorrisos!

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    1. sim, leiam juntas! é muito legal como a autora consegue mostrar algo tão pesado de uma maneira tão leve ♥
      fiquei feliz ao ler a HQ porque fazia tempo que eu não me identificava com alguma leitura e isso é extremamente importante pra gente continuar na nossa jornada literária (seja em livros, hqs, etc).

      obrigada por comentar! beijos :3

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  2. Oi, oi!

    Ai, meu Deus. Comecei lendo o texto pensando que tu tava me descrendo, já que eu também tenho 21 anos e estou cheios de questionamentos quanto ao meu futuro e à própria vida. Será se somos irmão separados? Hahaha.

    Acho que eu PRECISO com urgência desse livro. Adorei os traços dos desenhos. São lindos e delicados.

    Bjs!

    Não me venha com desculpas

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    1. hahahahahahaha essa crise dos 20 é comum a todos mesmo, mas a gente supera! espero que leia e que goste tanto quanto eu gostei :D

      beijos, irmão! hahahaha

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  3. Que lindas as ilustrações! Não costumo ler livros assim (HQ's, no caso), comecei a ler Persépolis uma vez, abandonei, mas quero voltar a ler e me interessei pela história desse, vou colocar na minha listinha haha.
    Eu faço 18 esse ano e não consigo me acostumar com a ideia de não ser mais adolescente um dia, às vezes me sinto com uns 15 anos, como você disse, concordo plenamente, são as coisas ao redor que mudam, não exatamente a gente.
    Beijos :*

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    1. eu também não estava acostumada, mas ano passado li 3 HQ's diferentes e adorei. assim como os livros, as histórias em quadrinho podem ser boas ou não e fazer ou não com que a gente se identifique. se não deu certo com persépolis, tenta esse ou outra história que você adoraria ler em um livro comum :3

      beijos!

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  4. Pera, preciso dessa HQ!
    Também estou no mesmo dilema, tipo, tenho 18 e tenho os mesmos sonhos de 15! Embora eu tenha consciência de que não tenho 15 que devo cair na real, mas aí eu penso, mas eu estou na minha real, a real de lá de fora não me agrada aí viro um dilema kkk quero essa HQ pra ontem amei!!

    Acompanhando aqui, Beijos

    http://meusdespropositos.blogspot.com.br/

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    1. e isso não muda, viu? hahaha mas não é motivo pra desespero. acho que quando a gente percebe isso, a gente passa a ver nossos pais, tios, irmãos, avós como eternas crianças, só que com mais experiências de vida.

      espero que leia a HQ e goste também! beijosss

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  5. Miga, sua loka, tô querendo esse livro pra ontem.
    Fiquei encantada pelas ilustrações e a história parece ser muuuuuito legal.
    Adorei o tema. Ele me faz ficar acordada durante muitos minutos antes de conseguir pegar no sono pensando sobre isso. A gente não recebe um memorando dizendo que, pronto, somos adultas - só as responsabilidades que insistem em puxar nossos pés.

    Faço 21 anos esse ano e não me sinto dessa forma. Sei lá, parece que sou a mesma menina de 15 anos que só se preocupava em ir bem na escola e queria pular uns anos pra saber o que eu estaria fazendo da vida. A realidade é: não fiz nada extraordinário ainda, mas o primeiro passo é tentar, né?

    Amei a resenha. Quero mais <3

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    1. sim, responsabilidadeeeeeeszZzZzz ai nem fala.
      tô de férias e mesmo assim essas responsabilidades não somem. não posso mais fazer como quando eu era criança e ficar o dia todo brincando, sem me preocupar com louça, contas pra pagar e etc :'(

      obrigada por comentar, brendha ♥

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  6. Tenho 23 anos, mas costumo pensar que essa idade é meramente formal, porque na minha cabeça ainda sou uma adolescente de 17 (eu contra o mundo). Tenho saudades do tempo em que achava que morar sozinha era a melhor coisa do mundo e não tinha que me preocupar com o atraso das bolsas da universidade, contas para pagar, trabalhos e mais trabalhos pra fazer... De repente até sinto falta da bad do 15 quando minha única preocupação era saber se aquele crush gostava ou não de mim.

    O livro é encantador, amo ilustrações e senti a mesma vontade que você de emoldurar algumas para pôr na parede do quarto. Gostei da história e adorei a resenha.

    Beijos, Manie.

    coracaoaflordapele.blogspot.com

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    1. pior é agora que além de conta pra pagar e tantas preocupações, muitos de nós ainda continuamos preocupados se o crush gosta da gente hahaahahaha foda ser adulto!

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    2. Foda ser adulto²

      Alguém pode parar o mundo que eu quero descer? Obrigada. rsrsrs

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  7. Manie, adorei essa indicação. Estou com 24 anos e também tenho a sensação de ser adolescente ainda, mesmo me sustentando sozinha já. Nem vou começar com todo o drama dos questionamentos dessa fase, mas me identifiquei muito em "e é aí que você implora pra trocar suas tretas pelos seus antigos dramas da adolescência. " Em fim.

    Este mês, depois de muuuu...uuito tempo, também estou conseguindo manter uma leitura ❤

    Na minha próxima ida à livraria já vou comprar.

    bêjo.

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    1. compra sim! eu não achei disponível no site da saraiva, nem no da livraria cultura, mas vê se dá pra encomendar :D

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  8. Heey!
    Eu nunca li nenhuma HQ, mas sempre me interessei muito por esse estilo literário.
    Essa obra parece ser muito interessante e com certeza vai para os meus desejados haha
    Seu blog é fascinante, já estou seguindo =)
    Abraços!
    http://desbravando-o-infinito.blogspot.com.br/

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    1. obrigada, guilherme! espero que leia e goste da HQ! :D

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  9. Não conhecia essa HQ, fiquei bastante interessada em ler, aborda um tema que me interessa. Tenho 26 anos e às vezes me sinto uma menina completamente perdida, faz parte rs.

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    1. hahahhaha acho que vamos nos sentir assim sempre!

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