A Jovem Alessia

21/02/2016


Um dos livros que me acompanhou em fevereiro foi A Jovem Alessia, romance histórico escrito por Louise Bennett. Li pouca coisa do gênero, mas alguns pontos me lembraram muito o Ultrarromantismo. Apesar de não ser fã desse tipo de literatura, eu resolvi me aventurar nas páginas desse romance, já que é bem raro eu não querer ler algum livro e este eu recebi em e-book da própria autora. Por isso, procurei avaliá-lo dentro da categoria que pertence.

Sabe como é chato quando nossos pais não deixam a gente ir naquele show? E naquela festa? Agora imagine-se no século XVIII, aos 16 anos, vivendo com um pai que te odeia e que não te deixa visitar sua melhor amiga por mais de 48 meses? É com isso que Alessia, uma jovem nobre, tinha que lidar. 

Certo dia, indo ao mercado da cidade com sua criada, a protagonista se depara com um rapaz que chama sua atenção. Dias depois, ao ser convidada para o aniversário da sua irmã de consideração, Alessia finalmente pôde sair do castelo e passar alguns dias felizes. Descendo da carruagem, com quem ela dá de cara? Com o rapaz que encontrara aquele dia, no mercado. 

No geral, a idealização do amor me incomoda muito. Não consigo engolir essa coisa de olhar pra alguém pela primeira vez e se apaixonar, ou então começar a ficar com alguém e dizer que é impossível viver sem essa pessoa. Porém, como o gênero no qual o livro se encaixa abrange isso, eu procurei não me importar muito. 


Como em muitos romances históricos, o machismo impera, mas a autora deixa claro em um momento da história que tem consciência disso (ufa!). Um dos rapazes da obra me revoltou muito quando culpou certa personagem por ter sido agredida, alegando que ela era muito aventureira. Esse mesmo personagem ficou indignado quando sua esposa lhe pediu permissão para aprender a lutar, como se isso não fosse tarefa de uma mulher. Pontos como esse me deixaram muito revoltada, mas é importante que a gente se sinta assim diante de narrativas de uma época distante, porque ainda em 2015 tem pessoas que naturalizam coisas absurdas e contribuem diariamente pra desigualdade de gênero. (E olha, tem uma referência muito maravilhosa à Joana D'Arc que me fez dar um pulinho de alegria).

Apesar de não ser o meu tipo de livro favorito, gostei muito de ter conhecido essas personagens, que me causaram tantas reflexões. No início, comparei a trama às cantigas de amor, do Trovadorismo, em que o homem pobre se apaixona pela moça rica e declama o quanto gostaria que fosse amado por ela. Quanto ao final, eu já previ o que aconteceria, mas ainda sim me permiti aproveitar o decorrer da história.

O livro será lançado na Livraria Leitura, em Campinas, no final de abril, mas já está disponível em e-book. Para saber mais sobre a autora e seus livros, clique aqui

Páginas: 308
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Meu perfil no SKOOB

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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