Sobre a paz interior que tanto queremos

18 de fevereiro de 2016

Já parou pra pensar que a gente está constantemente em busca de uma paz mental? Por conta disso, acabamos confundindo ter uma vida tranquila com manter a todo custo a mente longe de confusões, dúvidas e stress (o que, digo a vocês, é impossível).

Não conheço muito a respeito de meditação, mas esse negócio deve fazer um bem danado, assim como fazer algo que nos deixe calmos. Para muitos, ouvir uma boa música deitado debaixo do ventilador já representa uma boa dose de tranquilidade. Correr na praia, ganhar um livro de presente, abraçar alguém que amamos e cumprir a meta de afazeres do dia são outros exemplos de fatores que podem nos deixar tranquilos, com aquela sensação de "não tenho com o que me preocupar agora". Mas já parou pra pensar que praticamente a todo o momento passam pela nossa mente mil e um pensamentos aleatórios que, se a gente não tomar cuidado, nos botam pra baixo?

Eu sou o tipo de pessoa que tá de boa vendo um vídeo no youtube e, de repente, lembra de uma discussão que teve em 2007. Isso me deixa tão agoniada! Essa lembrança logo puxa outras e eu acabo lembrando de coisas ruins, criando ideias falsas na minha cabeça a respeito do que as pessoas estão pensando e me sentindo mal por não conseguir ficar em paz. Daí vou lá, leio um pouco, volto a ficar de boa, mas depois de fechar o livro, em algum momento do dia, as confusões sempre voltam. 

Quando parei pra pensar sobre isso, concluí que não é nossa obrigação querer estar cem porcento em paz, com uma mente totalmente calma e livre de qualquer questionamento. Como eu mencionei, há uma grande diferença entre fazer coisas que nos deixam leves e querer um cérebro limpo de confusões. A nossa mente não para. É aquela velha história do "imagina um elefante rosa": quando você lê essa frase, não tem como não imaginar. 

Percebi que é totalmente normal começar a devanear sobre coisas que eu não quero que as pessoas percebam que estou devaneando. Até porque, a gente adora transmitir uma imagem de equilíbrio pra quem tá ao nosso redor. "Nossa, como ela consegue driblar bem as dificuldades", "olha como ele não tá se importando com isso", "como você consegue relaxar numa situação dessas?". A gente tem medo de parecer inseguro e confuso. Mas sabe, nem é sobre expor ou não essas inseguranças que eu vim falar hoje, mas sobre ter consciência de que todos nós temos esses pensamentos e que não estamos sozinhos nessa. Não é só a gente que tem viagens doidas dentro da mente. 

Não vale a pena se cobrar tanto de um equilíbrio mental quando a gente não tem controle total sobre isso. Nossas opiniões mudam com frequência. Alguém nos chama pra sair e a gente pensa mil vezes antes de aceitar, porque num minuto aquela ideia parece divertidíssima, mas depois se transforma em algo meio chato - e depois volta a ser legal novamente. Ou sei lá, quando alguém pergunta se somos a favor ou contra algo e a gente se mostra a favor, mas depois vem uma argumento que nos faz ser contra. São exemplos de situações em que o nosso cérebro não está em paz - não importa se você está ou não ouvindo John Lennon, nem caminhando no parque.

Um vídeo que resume bem a mensagem que tentei escrever é esse, da JoutJout. Toda vez que fico me cobrando demais de ser um ser humano equilibradíssimo, volto a assistir o que ela disse, porque faz muito sentido. Não que estejamos mal sempre, mas a gente tem que aceitar que a nossa mente nunca está tranquila e que isso, definitivamente, não é nossa culpa. 

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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