As pessoas não precisam de você

13 de março de 2016

Um dos meus maiores medos quando saí de Santos e vim morar em Florianópolis era não estar presente quando as pessoas que marcaram a minha vida, até aquele momento, precisassem de mim. Eu achava que não ia ser suficiente para elas e que todas passariam a me amar menos - ou qualquer devaneio do tipo, desses que a gente tem enquanto ouve Exit Music for a Film.

Quando fui passar as minhas primeiras férias na cidade natal, após 5 meses na ilha da magia, percebi algo muito interessante: as pessoas continuavam a viver suas vidas de boas, com ou sem mim, como se nada tivesse acontecido (genial, não?). Elas acordavam, iam à padaria comprar as mesmas 3 médias e 2 carás, passavam o velho cafezinho, davam os rolê no centro, iam pra faculdade, viam The Voice Kids, entre outros itens cotidianos.

As minhas férias duraram cerca de 3 meses, os quais passei inteiros em Santos. Quando cheguei, foi uma alegria só, porque eu via os migo sempre, tinha comida diferente todo fim de semana, recebia no Facebook convites pra eventos legais na cidade. Depois que virou o ano, especialmente após o carnaval, tudo voltou ao normal na vida das pessoas e minha presença lá era tipo "ok, amei que você tá aqui, mas vou ali trabalhar, ganhar o pão de cada dia, 1 beijo". E eu me vi passando tardes e mais tardes lendo e jogando GTA V (o que foi ótimo, diga-se de passagem), enquanto exatamente tudo funcionava como sempre funcionou. 

Essa pequena observação - que parece bem óbvia, mas te garanto que não é tão simples notar - me fez voltar pra Floripa com outra mentalidade. Aquela festa de despedida e todas aquelas mensagens que recebi em julho do ano passado, quando me mudei, foram bonitas e me deram várias cenas de filminho pra lembrar futuramente, mas é só isso, sabe? A vida segue! Saudade é um sentimento inevitável, tanto das pessoas para mim quanto de mim para elas, mas não é o fim do mundo. Ninguém vai deixar de comer pipoca doce (vermelha!) do Cineroxy porque eu não como aqui onde escolhi morar. 

Minha maior preocupação era a minha vó. Sempre muito emotiva e apegada a mim e ao meu irmão, pensei que fosse chorar e ficar triste de um jeito inexplicável, ainda mais agora que tá acamada. Mas não. Fui delicadamente me despedir dela, nos abraçamos e ela disse "Vai com Deus e boa sorte", com um sorriso imenso. Ainda botei a cabeça pra dentro da porta, antes de sair, pra dar mais um tchau, e ela me acenou sorrindo, como se dissesse "Vai".

Amar não significa estar perto fisicamente, nem seguir freneticamente os passos de alguém. Se até a minha vó disse pra eu seguir meus sonhos e fazer da minha existência algo incrível, como eu posso dizer "não vou embora porque todos precisam de mim aqui"? Ninguém precisa tanto de outra pessoa que não possa viver sem ela. Isso é historinha que sessão da tarde botou na nossa cabeça.

Se ainda resta dúvida no coração da leitora/or que acompanhou esse texto até o final, só lhe digo uma coisa: faça o que tiver que fazer. Pode ser que você perca muitos amigos no caminho, por falta de compreensão por parte deles a respeito da vida que você escolheu pra si, mas ninguém tem obrigação nenhuma de ser compreensivo com as suas escolhas. E, já que você jamais vai agradar todo mundo, que fiquem aqueles que te amam de verdade. Porque, como diz a velha frase, amar é deixar ir.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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