Estilo de vida minimalista: roupas e objetos

15 de novembro de 2016

mi·ni·ma·lis·ta 
1. relativo ao minimalismo ou aos minimalistas.
2. que está reduzido ao mínimo ou pretende reduzir ao mínimo.


Sempre me incomodei com aquelas gavetas sem função determinada, cheias de coisas aleatórias. Carregador de celular, carnê das Casas Bahia, chave da porta que não existe mais, lembrancinha de aniversário de 15 da prima, moeda de 5 centavos, grampeador... Lá na casa dos meus pais, tem uma gaveta específica pra isso e ela fica na cozinha. Quando vim morar sozinha, a primeira coisa que prometi a mim mesma, depois de não acumular roupas sujas a ponto de ficar sem ter o que vestir, foi não ter uma gaveta da cozinha

Gavetas da cozinha, seja lá em que cômodo da casa elas estejam (ou se são gavetas - pode ser uma estante, uma caixa, um criado-mudo) são ótimas oportunidades pra você não se desfazer do que não possui utilidade. 

Você chega em casa depois daquele rolê cansativo. Nas mãos, o panfleto de pizzaria que te entregaram na rua. O que você faz com ele? 

( ) coloca dentro da agenda telefônica ou em algum local parecido;
( ) joga fora - no lixo limpo, de preferência;
(xxxxxxxxx) coloca na gaveta da cozinha.

Malditas gavetas da cozinha, infernizando meu espírito minimalista desde 1994. 

Não é de hoje que me incomodo com essas coisas. Recentemente, lendo sobre o tema na internet, descobri que isso não é maluquice minha. Essa angústia por gavetas da cozinha se resume em um tipo de personalidade, que venho tentando ligar a um estilo de vida. Alguns chamam de minimalismo, mas não importa muito o nome. O que importa é: só quero pra mim o que me for realmente necessário. 

Isso abre espaço pra falar sobre vários assuntos, desde a forma como lido com minha aparência até a maneira como me relaciono com as pessoas ao meu redor. Pra começar, vou falar de algo mais prático: roupas e objetos.



Organizar armários e estantes nunca foi tão prazeroso quanto na semana passada. Foi a vez em que eu mais fui radical. Eu me livrei de coisas que não tinha coragem de desapegar e, para exemplificá-las, nada melhor do que listas:

- roupas que eu ainda acho bonitas, mas que não são confortáveis ou não acho que ficam bem em mim;
- roupas que estão esperando pela ocasião especial desde 1867;
- livros que eu não pretendo ler; ou que li e não gostei; ou que li e gostei, mas não faço questão de ter; 
- caderninhos e agendas com muitas folhas em branco que não estão sendo usados;
- bolsas e mochilas paradas há décadas.  

Uma parte de tudo isso eu vendi, com o objetivo de ter grana pra comprar roupas que realmente vou usar (de preferência peças chave, que eu consiga combinar com o que já tenho). A outra parte doei para um brechó. 

A sensação que me dá é uma mistura de alívio, paz e leveza. Tenho certeza de que no meu armário tenho somente o que eu realmente visto. E os objetos, que poderiam ir pra gaveta da cozinha, estão fazendo um benzinho pra outra pessoa. 

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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