Pra vida ficar mais leve

30 de abril de 2017

A palavra "minimalismo" sempre me remeteu a uma parede branca com 3 quadrinhos simétricos, ou coisa do tipo. De um tempo pra cá, entretanto, andei lendo e assistindo bastante conteúdo sobre o tema e minha percepção sobre esse estilo de vida mudou. Notei que vinha tentando adotar essa filosofia - se é que podemos chamar minimalismo de filosofia... acho que sim - antes mesmo de saber o que isso realmente significava. É tipo feminismo: sempre fui, mas só soube há 3 anos.

arte por: ottokim

Não gosto de acumular. Assistia àqueles programas de acumuladores no Discovery Home & Health como se fosse um filme de terror. Eu tenho necessidade de ter menos e isso se aplica tanto a coisas materiais como psicológicas e sentimentais. A sensação de me livrar de itens supérfluos na minha vida é semelhante à sensação de tomar um banho quentinho depois de pegar uma chuvona daquelas em um dia frio. É um processo que em teoria parece incoerente, mas que me faz muito sentido. A cada coisa que me livro, me sinto mais completa.

Já falei sobre desapego de roupas e livros nesse post. Hoje resolvi falar sobre outras duas atitudes que tomei e que exemplificam como o minimalismo tem afetado a minha vida de forma muito positiva.


Parei de alisar o cabelo

Quem me conhece já sabe que parei de passar química alisante no cabelo há quase dois anos, depois de passar mais de uma década me submetendo à pressão estética e comerciais do tipo "porque você vale muito". Realmente, eu valho muito, valho pra caralho.


Meu processo de transição pareceu não ter fim, mas já acabou há alguns meses e a sensação de leveza é inexplicável. Pra quem nunca passou por isso, parece drama de novela mexicana, mas meus amigos, vocês não imaginam o bem que isso me fez. Sentir meu cabelo do jeitinho que ele é, sem intervenções químicas drásticas, foi uma das mudanças que mais me fez feliz.

A relação disso com minimalismo talvez não seja tão explícita, mas pra mim é muito forte. Primeiramente, o lado financeiro gritou, afinal, gastar horrores com cabelo toda vez que eu precisava fazer progressiva era péssimo, né meninaaaas. Teve também o lado da perda de tempo, já que eu passava horas me dedicando à escova seguida de chapinha toda vez que lavava meu cabelo (se contar todo tempo que perdi fazendo isso dava pra aprender um idioma novo, conhecer lugares/pessoas, escrever um livro, dormir mais, cozinhar comidas gostosas). E, por fim, o lado da libertação, tendo em vista que a necessidade de alisar cabelo é fruto de uma pressão estética que te fode a cabeça num nível que você não consegue se ver bonita do jeito que é de verdade - e hoje, depois de driblar com muita persistência essa pressão, deixar meu cabelo secar ao natural não é mais uma questão pra mim.


Parei de tomar pílula anticoncepcional

Era uma ideia que eu tinha muita vontade de concretizar, mas não fiz antes por pura preguiça. Preguiça de sentar de frente pro computador e estudar como meu ciclo menstrual funciona e o que de fato a pílula fazia no meu organismo - e concluir que eu não precisava dela. Como eu amo biologia, não foi nem um pouco chato. É igual ler livros: eu fico enrolando por dias, mas quando finalmente pego o livro pra ler, não paro mais.

Teve o lado financeiro - 40 reais todo mês, né meninaaas -, mas o que mais me incentivou a parar de botar hormônio desnecessário pra dentro do meu corpo foi justamente a não-necessidade de fazer isso. Eu comecei a tomar há alguns anos simplesmente pra não ter nenéns, sem ao menos saber o que tinha na composição daquelas pílulas. Parece que se cria um medo ao redor da gente e ao mesmo tempo ninguém se propõe a explicar sequer o que é estrógeno ou progesterona. A gente sai da escola sabendo - em teoria rs - tudinho sobre polinização cruzada das angiospermas, mas não sabemos nem que a menstruação é dividida em duas partes. Convido vocês, que tomam pílula simplesmente por tomar, a conhecerem seus corpos. É mágico!

Vi uma vídeo-aula inicial sobre ciclo menstrual no Descomplica, outra vídeo-aula sobre o mesmo tema só que um pouco mais avançada e, em seguida, parti pras leituras. Um site que me ajudou muito foi o Lado Oculto da Lua, que explica desde o ciclo menstrual até os métodos de percepção de fertilidade.

Parei de tomar pílula semana passada, quando a última cartela acabou. Pretendo falar mais sobre o assunto daqui a um ou dois meses.


***

Viver-bem-com-pouco é um desafio diante da sociedade consumista em que vivemos. Erramos ao pensar que só quem gosta de roupa de marca ou celulares de última geração são afetados por essa lógica. Eu nunca liguei pra esse tipo de coisa, mas em compensação, não posso ver uma brusinha de cor neutra que já fico louca querendo pra mim. Mesmo nós, que buscamos uma vida mais consciente e leve, ainda caímos em tentações que poderíamos evitar - e nós sabemos disso. Não adianta eu comprar roupas novas em brechós toda semana ou garantir 10 livros de sebo todo mês se vão ser objetos que ficarão jogados no canto do quarto. É importante sim saber de onde vem as coisas que compramos, mas ainda mais importante do que isso é saber se realmente precisamos comprá-las.

Às vezes você vai até sonhar com um home office de mesa de cavalete, mas enquanto isso não é possível, vai ter que aguentar a escrivaninha marfim de puxador dourado, porque é isso que tem pra hoje. Ser minimalista não depende dos tons que você escolhe pro seu look do dia - embora, no meu caso, eu prefira coisas mais simples. Viver-bem-com-menos é algo que vem de dentro pra fora. E quando vem, é uma sensação ótima!

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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